Gato-mourisco é solto na natureza com rádio-colar em ação inédita no Rio de Janeiro, com apoio do CETAS de Seropédica
31 de março de 2025

Monitoramento permitirá acompanhar a adaptação do felino e contribuir para sua conservação

No último dia 29 de março de 2025, o Rio de Janeiro registrou um importante avanço na conservação da fauna silvestre. Pela primeira vez, um felino silvestre foi reintegrado à natureza equipado com um rádio-colar para monitoramento remoto. O protagonista dessa ação inédita é um gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), um dos felinos mais raros da América do Sul, que foi resgatado debilitado e passou por avaliação clínica no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de Seropédica, unidade do IBAMA.

Os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do IBAMA são unidades responsáveis pelo recebimento de animais silvestres apreendidos, resgatados ou entregues espontaneamente pela população, com vistas à execução de serviços de identificação, marcação, triagem, avaliação, tratamento, recuperação, reabilitação e destinação desses animais, tendo como objetivo maior a devolução deles para a natureza.

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A soltura foi realizada com o apoio do Programa Carnívoros do Rio, que estuda a ecologia dos predadores nativos do estado, e do Instituto Serra do Tangará. Com o auxílio do rádio-colar, pesquisadores poderão monitorar a movimentação do felino, entender como ele se adapta ao ambiente e avaliar os desafios para a conservação da espécie em áreas da Mata Atlântica.

Do resgate à vida livre

O gato-mourisco foi encontrado por moradores em uma área de transição entre mata e zona rural, o que levanta preocupações sobre os impactos da fragmentação florestal sobre a espécie. Após ser levado ao CETAS/Seropédica, o felino passou por cuidados veterinários e um processo de readaptação, que incluiu estímulos para avaliar seus comportamentos naturais.

A escolha do local de soltura foi baseada em critérios ecológicos rigorosos, garantindo uma área protegida e com recursos naturais suficientes para a sobrevivência do felino. A introdução do rádio-colar será essencial para monitorar sua adaptação, permitindo que os pesquisadores avaliem se ele consegue estabelecer território e encontrar alimento sem dificuldades.

Ciência e tecnologia a favor da conservação

O rádio-colar utilizado no gato-mourisco emite sinais via GPS, possibilitando a coleta de dados sobre seus deslocamentos. Essa tecnologia representa um avanço significativo para a pesquisa, uma vez que esses felinos são conhecidos por sua discrição e hábitos solitários, tornando o estudo de sua ecologia um grande desafio.

“Esse monitoramento nos permitirá entender melhor o comportamento do gato-mourisco e identificar as ameaças que ele pode enfrentar na natureza, como caça ilegal, atropelamentos e perda de habitat”, explica Yan Rodrigues, biólogo responsável pelo Programa Carnívoros do Rio.

A iniciativa reforça a importância de ações integradas entre órgãos ambientais, centros de reabilitação e pesquisadores para a preservação da fauna silvestre. O acompanhamento do felino seguirá pelos próximos meses, e os especialistas esperam que essa primeira experiência abra caminho para futuras solturas monitoradas, contribuindo para a proteção de outras espécies ameaçadas na região.

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